quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Já fomos melhores

Esta semana tivemos QG de reconciliação. Descobrimos o indestrutível poder de abalar relações que o lanche do Paquera tem. Sobretudo às quartas.

Justificativas em vão, argumentações fracassadas, mediadores atentos, defesa frágil e acusação afiada. O réu se viu obrigado a ir para cozinha cumprir pena descascando batatas.

Assim, tivemos uma Quarta Gourmet Tailandesa. Fraldinha assada ao molho Thai, guarnecida por batatas aromatizadas com alecrim e alho, acompanhadas de acelga com toques orientais. Obviamente tudo picante ao extremo.

Sob a tradicional supervisão do chef Paulinho, trabalhamos duramente no intuito de agradar os aguçados paladares dos convivas.

Tudo indo muito bem e fluindo de acordo com o cerimonial. Até que, repentinamente, fomos surpreendidos ao saber (por unanimidade), que quem roubou a cena e ganhou destaque na noite foi o singelo arroz branco. Eleito com supremacia e adjetivado como sensacional, extra-ordinário, divino e etc.

Pela primeira vez a consagração da QG veio através do trivial arroz branco.

Digerimos a constatação como quem privilegia as nozes da ceia de natal; o pêssego do réveillon; amendoim de festa junina; a água mineral da choperia Pinguim; sunomono do combinado japonês; Emerson Leão da seleção de 70; Barrichelo da F1; a ponte Rio-Niterói ao invés de Ipanema; a Oscar Freire e não a Augusta; Sarney no lugar do Tancredo; Valesca Popozuda e não Gisele Bundchen; Bento XVI sucedendo João Paulo II; Condolezza Rice pela Margaret Thatcher; Bossa Nova sem Jobim; foi como tomar um porre de espumante em Salinas; ou se embriagar de cachaça em Bento Gonçalves; foi feriado no Domingo.

Só nos restou um sincero e profundo pesar precedido pela indubitável conclusão de que já fomos melhores na cozinha.

Até quarta!