Esta semana tivemos QG de reconciliação. Descobrimos o indestrutível poder
de abalar relações que o lanche do Paquera tem. Sobretudo às quartas.
Justificativas em vão, argumentações fracassadas, mediadores atentos, defesa
frágil e acusação afiada. O réu se viu obrigado a ir para cozinha cumprir pena
descascando batatas.
Assim, tivemos uma Quarta Gourmet Tailandesa. Fraldinha assada ao molho Thai,
guarnecida por batatas aromatizadas com alecrim e alho, acompanhadas de acelga
com toques orientais. Obviamente tudo picante ao extremo.
Sob a tradicional supervisão do chef Paulinho, trabalhamos duramente no
intuito de agradar os aguçados paladares dos convivas.
Tudo indo muito bem e fluindo de acordo com o cerimonial. Até que,
repentinamente, fomos surpreendidos ao saber (por unanimidade), que quem roubou
a cena e ganhou destaque na noite foi o singelo arroz branco. Eleito com
supremacia e adjetivado como sensacional, extra-ordinário, divino e etc.
Pela primeira vez a consagração da QG veio através do trivial arroz branco.
Digerimos a constatação como quem privilegia as nozes da ceia de natal; o pêssego
do réveillon; amendoim de festa junina; a água mineral da choperia Pinguim; sunomono
do combinado japonês; Emerson Leão da seleção de 70; Barrichelo da F1; a ponte
Rio-Niterói ao invés de Ipanema; a Oscar Freire e não a Augusta; Sarney no lugar
do Tancredo; Valesca Popozuda e não Gisele Bundchen; Bento XVI sucedendo João
Paulo II; Condolezza Rice pela Margaret Thatcher; Bossa Nova sem Jobim; foi
como tomar um porre de espumante em Salinas; ou se embriagar de cachaça em
Bento Gonçalves; foi feriado no Domingo.
Só nos restou um sincero e profundo pesar precedido pela indubitável
conclusão de que já fomos melhores na cozinha.
Até quarta!

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